13 de fevereiro de 2017 ás 16:56 por

Escola de Saberes resguardará culturas ancestrais da região do Cariri

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Barbalha. Com o objetivo de preservar os saberes tradicionais que, no mundo contemporâneo, com o advento da globalização, estão desaparecendo, a Universidade Federal do Cariri (Ufca) planeja instalar a Escola de Saberes, em Barbalha. O centro reunirá na Casa da Câmara e Cadeia, atual Palácio Três de Outubro, em Barbalha, cursos, oficinas, festivais de cinema e das manifestações culturais do Cariri. Além disso, contará com uma biblioteca com 20 mil volumes dedicada a história e cultura do Nordeste e um centro de memória audiovisual.

O cineasta cearense, Rosemberg Cariry conta que “é uma concepção antiga, pois toda nossa herança ibérica, africana e indígena está sendo apagada”. O projeto vem sendo desenvolvido através de várias parcerias, cooperações de instituições e pessoas. O pró-reitor de Cultura, Eduardo da Cunha, afirmou que a UFCA está aberta a apoiar o projeto.

O Cariri é uma região privilegiada para a realização desse projeto, afirma o cineasta. Ele lamenta que todo um processo civilizatório tão rico, tradições milenares, estejam se perdendo. Serão realizado, dentro de um calendário anual, uma série de cursos e oficinas de rabecas, reisados, plantas medicinais, artesanato, lapinhas e outras tradições hoje perdidas, algumas sobrevivendo em terreiros mantidos por teimosos mestres da cultura popular.

Outro objetivo da Escola de Saberes é a realização de festivais de coco e embolada, cinema, literatura e trovadores e cantadores anualmente. Rosemberg Cariry ressaltou que a cooperação da Universidade Federal do Cariri é de fundamental importância, uma instituição que já desenvolve trabalhos interessantíssimos com a cultura popular, com as dinâmicas culturais das comunidades.

A professora Juraci Maia, também engajada no projeto, lembra que os saberes populares alimentam a ciência. Fez um paralelo com o Iluminismo que jamais teria surgido apenas da cabeça genial de alguns intelectuais, mas sim através do contato com os bárbaros, povos primitivos, guardiões de saberes ancestrais. Disse que parte da historiografia está revistando e redefinindo esses movimentos, saberes populares que darão suporte para a ciência moderna.

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